CUC – Contemporary Urban Culture

Interdisciplinary Platform for Urban Culture

MAIA, IDENTIFICAÇÃO DE UMA CIDADE APRESENTAÇÃO

O estudo que o CUC – centro de cultura urbana contemporânea, realizou para a Bienal da Maia de 1999 concretizou uma síntese pluridisciplinar sobre um tema que, muito embora cruze diversas áreas da análise e do planeamento urbano, raramente a estas é verdadeiramente central.

Esse tema é o da imagem da cidade, assumida nas vertentes das suas dimensões física e simbólica, e obtida a partir das identificações e representações que uma população faz da cidade onde reside.

O tratamento que demos a este tema procurou explicitar e relacionar as perspectivas críticas que emergem quando a cidade é objecto de estudo de áreas de conhecimento disciplinar tão diversas como o são a sociologia, a arquitectura, a geografia, o próprio urbanismo e mesmo a filosofia ou as artes visuais.

Terá sido, aliás, a organização interdisciplinar do estudo – inerente a um cruzamento efectivo de saberes e referenciais – o que levou, de facto, a retirar conclusões e a sugerir pistas tão inesperadas para o poder político local que a publicação do estudo acabaria por ser eterna e convenientemente adiada…

Dentro da equipa que se formou para elaborar o estudo, a socióloga Paula Guerra deu conta das principais dinâmicas verificáveis em termos de identidades, memórias e representações dos maiatos face à sua cidade.

Procedeu, assim, à identificação dos perfis sócio-demográficos dos actores sociais em análise, registou as especificidades das representações dos maiatos concernentes às suas memórias e identidades urbanas, e chegou a um retrato sociológico complexo das relações entre indivíduos e o seu espaço de habitar.

O seu estudo passou por um enquadramento analítico que pretendeu, ademais, equacionar os principais vectores de discussão da própria definição de cidade, quer de um ponto de vista teórico, quer empírico.

Ainda que de forma exploratória, a arquitecta Cecília Delgado pretendeu, a partir dos dados recolhidos, identificar a imagem mental da cidade da Maia segundo quatro vertentes complementares de análise:

– a imagem da cidade definida através de territórios sócio-espaciais determinados;

– a relação entre a identidade corporal e as identificações com o universo urbano;

– o nível de identificação entre a população e as referências patrimoniais da cidade;

– e, por último, os padrões estéticos de leitura do contexto arquitectónico e urbanístico.

A leitura obtida traduziu-se no retrato de uma realidade fragmentada por núcleos de apropriação territorial, ou seja, de uma imagem de cidade segmentada por freguesias, que, de forma individualizada, denotavam uma ideia da cidade que tinha a seu próprio microterritório como modelo, e onde apenas a Praça do Município sobrava como presença unificadora.

A abordagem das aspirações sentidas pelos residentes e das suas expectativas para a evolução futura da Maia, foi feita pelo geógrafo Flávio Nunes. Na sua investigação, este procurou informar e sistematizar as referências que deveriam pautar o reposicionamento ou afinação da imagem da cidade da Maia.

Do confronto entre os graus de satisfação/insatisfação dos maiatos com a sua cidade, extrapolou as visões prospectivas que deveriam comandar a evolução futura da imagem da cidade da Maia.

A artista Gabriela Vaz-Pinheiro realizou um trabalho em contacto directo com a população. Perto de uma investigação antropológica, o seu projecto questionou a representação da cidade enquanto apropriação directa do quotidiano urbano, propondo simultaneamente uma reflexão sobre a fotografia enquanto objecto de uma autoria anónima que narra as histórias privadas de um espaço urbano colectivo.

A convite da equipa que dirigiu o inquérito, o historiador José Augusto Maia Marques, Director do Forum da Maia, elaborou uma contextualização da cidade e do concelho da Maia que, de algum modo, culminou na percepção de uma cidade que ainda não terá encontrado o seu perfil no seio de um concelho, esse sim rico de tradições e história.

Com o meu próprio ensaio procurei apresentar uma formulação teórica que simultaneamente funcionasse como introdução ao estudo realizado e que oferecesse também a construção de um olhar, tanto sobre o material recolhido no decurso da realização do inquérito, como sobre as análises descritas.

O objectivo foi constituir uma leitura interdisciplinar de síntese que permitisse situar o papel da imagem e da identificação de uma realidade urbana específica face ao contexto do pensamento contemporâneo sobre a cidade, procurando nesse jogo de espelhos as pistas para a evolução de uma cidade ainda demasiado agarrada à sua condição periférica.

A que retrato chegámos então?

A cidade da Maia nasceu, por decisão política, em 1986. Resultou da agregação de três freguesias centrais do concelho da Maia, como corolário dum período recente ao longo do qual a Maia demonstrou uma capacidade de crescimento atestada por indicadores sócio-económicos que frequentemente ressurgem como um claro sinal de afirmação.

Como outros concelhos situados nas periferias das duas principais cidades portuguesas, a Maia cresceu exponencialmente nos últimos trinta anos, usufruindo dos movimentos migratórios da população em direcção aos grandes centros urbanos e ao litoral do País.

A história da Maia é mais ou menos adivinhável: de cruzamento de caminhos e de núcleo rural abastecedor do Porto, passa subitamente a protagonista do processo de suburbanização deste núcleo urbano, assistindo-se à consolidação da sua estrutura urbana sobre um rápido adensamento dos usos do território.

Assim, por entre os núcleos rurais disseminou-se o uso habitacional de suporte, e a esse rapidamente acresceu uma estratégia de dinamização industrial e empresarial. Ambos os usos vieram a caracterizar a Maia no contexto metropolitano do Porto, do mesmo modo que ambos alteraram e fragmentaram profundamente o carácter físico do concelho.

É nessa fragmentação física do território – mas também na clivagem entre populações originárias e novas populações atraídas para o Concelho ( note-se que um terço da população residente na Cidade da Maia não é, de facto, natural do Concelho, o que não confirma senão uma realidade estatística comum a outras cidades portuguesas de periferia ) – que se inicia possivelmente, a fragmentação da imagem da cidade da Maia.

Porém, será também com e contra este carácter histórico duplo – que advém do choque do rural tradicional e da nova realidade da periferia urbana – que se constituirá a afirmação de uma nova identidade, tanto porque se descobre uma necessidade de afirmação de identidade urbana ‘moderna’ por rejeição da identidade rural, como porque se regista uma compreensão das conotações negativas da monofuncionalidade urbana associada aos dormitórios suburbanos.

O poder político percebeu isto, quer quando dinamizou a componente industrial e empresarial do concelho, quer quando adoptou instrumentos básicos – mas eficazes – de marketing urbano, obtendo efeitos retumbantes na constituição recente do imaginário da cidade.

A criação do Jardim Zoológico da Maia foi um bom exemplo desse marketing urbano, dando origem a uma presença simbólica unificadora que, juntamente com outros factores, permitiram à população aumentar os graus de auto-estima revelados pela sua cidade.

Assim se viu relegada para valores negligenciáveis a presença no inquérito realizado de expressões associativas e imagens como “cidade dormitório” – que, no caso, facilmente poderiam imperar.

Se existe uma crise de identidade na percepção da cidade da Maia esta prende-se exactamente com a necessidade de romper com o contexto suburbano para gerar uma imagem de cidade autónoma, autosuficiente, e, logo, de contornos precisos no seio de uma dada metropolitanização em curso em torno da cidade do Porto.

O facto de, porém, uma imagem coerente da cidade da Maia estar ainda pouco implementada entre a população residente, acaba por reconhecer-se nas ambiguidades, imprecisões e contradicções que se registaram nas respostas ao questionário efectuado.

Assim, apesar do passado histórico do Concelho, ou talvez por causa dele – na medida em que esse agrega um certo capital simbólico -, os limites e a definição da cidade, a ligação entre diversos núcleos, são ainda factores imprecisos para a maior parte da população.

É este um denominador comum relativamente à restante população portuguesa, como uma espécie de iliteracia geral do território urbano, ou é esta uma característica particular ao caso da Maia, face a uma dificuldade de identificação espacial que é consequência das características físicas e simbólicas presentes -ou ausentes- no tecido urbano disperso e descontínuo que caracteriza esta periferia?

Questionar num contexto específico, como é o da cidade da Maia, os processos de formação de uma imagem de cidade e entender a sua importância na construção de uma identidade que ultrapassa os contornos de uma visibilidade aparente, assumiu-se, assim, como um objectivo primordial que orientou muitas das questões criadas para o inquérito à população.

Foi nesse sentido que regressámos a Kevin Lynch e ao seu estudo sobre a imagem da cidade, para assumir, como a urbanista espanhola Maria-Angéles Durán, o pressuposto de que “a imagem actua como marco de referência das crenças e do conhecimento, e proporciona a matéria prima para os símbolos e as recordações colectivas (…) do grupo.”

Mas, nesse mesmo sentido, quisémos ir mais longe e questionar também que dispositivos é que os representantes da cidade usavam para fixar uma determinada imagem, “expurgando-a de conteúdos indesejáveis e potenciando os aspectos sobre os quais desejam enraizar-se ou chamar a atenção.”

Entre a desmontagem da percepção primária da cidade e a desmontagem da percepção das medidas e instrumentos que a vão modificando, pretenderíamos afinal apontar para uma maior eficácia na gestão da identidade urbana da Maia e na reconstrução da sua imagem, face às indefinições e expectativas demonstradas pela própria população.

Porém, o que então concluímos talvez não fosse o que mais se coadunava com as estratégias de requalificação urbana já em curso…

A constituição e a reconstrução de uma imagem urbana não é senão a sequência de um primeiro acto necessário: a própria compreensão da cidade.

Se, por exemplo, num primeiro contacto com a Maia se podem identificar zonas na cidade que oferecem um maior grau de resistência à compreensão e orientação por parte de um visitante, pode-se colocar a hipótese de que a esta ‘exclusão’ do ‘processo de orientação’ cria rupturas na leitura da cidade como um todo coerente.

E se os residentes de longa data podem inclusive ter adquirido capacidade de orientação à custa de pistas acumuladas ao longo de um extenso período de utilização e de sucessivos exercícios de memória, não pode deixar de se reconhecer, em geral, e em especial fora das áreas imediatamente centrais da Maia, que existem uma série de zonas cuja ‘acessibilidade’ permanece exclusivamente reservada a utentes muito localizados.

Apercebe-se, aliás, o facto de que nem sequer o cidadão de outras áreas da mesma cidade se sente apto a ‘orientar-se’ nessas zonas opacas que lhe são menos quotidianas.

Perante este facto, o enquadramento conceptual da síntese que desenvolvi para o estudo acabaria por ser justamente o de expor e confrontar as múltiplas visibilidades e invisibilidades que, sobrepostas no tecido físico e social da cidade, oferecem um retrato desagregado, inesperado da cidade da Maia.

A percepção de ilhas de grande visibilidade, que se destacam física e mentalmente na estrutura da cidade sem que um tecido urbano perfeitamente coeso as una entre si, levou-me a evocar uma noção de arquipélago para caracterizar a cidade da Maia.

As ilhas mencionadas são constituidas por conjuntos construídos ou simbólicos – como espaços públicos de reunião, monumentos referenciais ou ‘urbanizações’ – cuja relação, no seio de um processo de crescimento imparável da urbe, não é senão a que preside a uma simples justaposição histórica de núcleos físicos e identitários, inicialmente separados, sem que a continuidade entre eles fosse alguma vez pensada ou modelizada.

A lógica é a do que François Asher descreve como o alargamento da ‘mancha urbana’ das metrópoles, onde impera a ocupação extensiva e o descontínuo, contra o ordenamento intensivo e compacto da cidade tradicional.

Assim, quando falamos de ilhas de uma determinada visibilidade falamos, por exemplo, da substituição da noção tradicional e contínua de bairro pela implantação dispersa das ‘novas urbanizações’ em território de expansão da urbe, com uma lógica economicista e privada que desmembra qualquer aspiração de globalidade e inter-relação que não seja a estritamente funcional.

Existem, de facto, estradas que ligam essas urbanizações, mas não as acompanha a qualidade urbana que se esperaria numa cidade. Como adiante referirei, criam-se antes momentos de invisibilidade, ou momentos que se prefere não ver…

Foi neste sentido que procurei demonstrar que estas ‘urbanizações’, para além de imporem uma territorialidade desconexa, assumem o carácter de ilhas que transmitem e sublinham uma mensagem de autonomia dentro da cidade que, logicamente, quer desembocar no enclave territorial máximo que é o ‘condomínio fechado’.

Porém a noção sugerida de cidade-arquipélago não se prende exclusivamente com a visibilidade e a omnipresença de determinadas realidades físicas. Acusa também a existência de visibilidades simbólicas que se assumem como ilhas mentais num possível mapa cognitivo e colectivo da cidade.

Esta é, assim, uma cidade de dispersão territorial e de enclaves físicos (e sociais) visíveis e invisíveis, mas é também uma cidade de combinação de identidades pré-existentes com a cuidadosa construção de novos símbolos de auto-estima destinados a preencher a memória inexistente de uma cidade nova e a substitur o afogamento de um património simbólico também ele disperso.

O Monumento à Comunidade Maiata, por exemplo – é um conjunto escultórico bastante reconhecido pela população que mostra a capacidade de criar ‘lugar’ num ‘lugar’ – uma das principias entradas da cidade – onde as características físicas da envolvente não são de modo algum interessantes, plenamente legíveis ou apresentam mesmo um carácter contraditório.

Assim, existem dispersos símbolos que são fortemente reconhecidos pela população, mas não uma simbologia coerente que defina, per se, a identidade da cidade perante os seus utentes e residentes.

É nesse sentido que emerge, também, a noção da criação de ilhas mentais num arquipélago relacionado, mas desestruturado.

Perante este cenário – e somados inúmeros factores que não cabe aqui desenvolver – reconhecemos uma dificuldade em estabelecer, na Maia, uma imagem coerente e globalizante da cidade.

Uma dificuldade que não passa só pela deficiência de identificação dos limites urbanos, como inicialmente referia, mas também pela incapacidade de estruturar claramente as principais representações físicas urbanas e a globalidade de um património histórico-simbólico colectivo.

Para além do mais, a Maia mostrou-se uma cidade cuja identificação se processa quase exclusivamente através de dispositivos artificiais notoriamente recentes, quer estes sejam de ordem politico-administrativa ou efectivamente construídos.

Confirmou-se que os maiores símbolos agregadores da cidade pertencem à ordem da imagem ‘encomendada’, ou seja, pertencem ao domínio dos instrumentos expressamente criados para efeitos de reforço de identidade.

Como afirma Cecília Delgado no decorrer da sua análise, “a formação de uma cidade implica a produção (caso não exista) de um léxico simbólico que caracterize e identifique a imagem da cidade e que constitua um campo de valores adoptado pela sua população”.

Nesse sentido, sublinharíamos aliás que essa produção se inclina, de facto, a construir uma memória que, de forma porventura necessária, possa permitir superar uma impressão de ‘uma caótica justaposição de fragmentos’.

Complementarmente, à elaboração de tais memórias de construção simbólica artificial opõem-se necessariamente a elisão de outras memórias, como acontece, por exemplo, com um bairro social muito central, que em todos os aspectos é representado como um gueto.

Esse exemplo oferece uma das formas possíveis do reverso da medalha.

A existência de invisibilidades no seio da cidade que são como momentos urbanos cegos que sobram entre essas ilhas construídas – as ‘urbanizações’ ou o próprio centro – que  focalizam e concentram a atenção visual e mental dos observadores.

Assim, entre os focos de visibilidade evidente que anteriormente referia surge uma ‘ordem simbólica suspensa’, como lhe chamava Michel de Certeau, onde “não há nada. Nada de especial, nada que seja marcado, aberto por uma memória ou uma história, assinado por algo ou por alguém.“

No final da nossa análise, e já muito para além da liminar identificação de uma cidade, defendia-se que a (ausência de) estratégia relativamente a estes e outros fenómenos impediria a progressão natural de mecanismos de identidade e consolidação de imagem que, nesta fase como num futuro próximo, se revelam fundamentais para o posicionamento da cidade da Maia perante si própria e perante o exterior.

Na medida em que a imagem da cidade é constantemente reapropriada para permitir ou não uma fidelização de populações existentes e potenciais, a questão da identidade surge como uma estratégia possível de ‘cidade’, nomeadamente através de um maior controle sobre a irrupção daquilo a que chamámos enclaves ou ilhas de focalização de visibilidade.

Por outro lado não pudemos deixar de reflectir que um certo elogio da desordem seria também produtivo, na medida, note-se, em que permitisse assumir e lidar abertamente com as lógicas espontâneas de crescimento da cidade e mesmo quando, a partir de um certo estádio cultural e político da cidade, a imposição de uma ordem reguladora se torna uma ambição natural.

Dentro desta lógica, chamámos a atenção para os perigos, apesar de tudo relativos, do início da ‘colonização’ da cidade da Maia por um saber disciplinar – urbanístico e arquitectónico – que assumia um modelo regulador oposto ao que até então caracterizou o crescimento da urbe em estudo.

Falava-se então da substituição do referido Bairro do Sobral por uma ‘cidade nova’ desenhada por Álvaro Siza Vieira e encontrava-se já em implementação um plano para o centro da cidade da autoria de Eduardo Souto Moura, enquanto progressivamente se assistia à associação de promotores imobiliários da praça a arquitectos de algum renome nacional.

Mais que aludir a um possível confronto de gostos ou choque de modelos subjacentes às novas intervenções, interessou-nos reflectir antes sobre a forma em que as estratégias então pensadas para a cidade da Maia – através de um marketing urbano não destituído de senso – deixavam por resolver os verdadeiros problemas encontrados na nossa análise.

Nesse sentido, a conclusão lógica do nosso estudo seria que o reforço do ‘centro’ – já de si simbolicamente único e agregador como nenhum outro espaço da Maia – embora útil, seria talvez menos urgente do que a resolução atenta da fragmentação encontrada na percepção do todo urbano.

E, por tal, defenderíamos que o entender do papel da gestão da imagem urbana, quer na consolidação de uma auto-imagem, quer na projecção de uma nova identidade perante um determinado contexto metropolitano – e envolvendo não só as questões físicas da cidade mas também os seus aspectos sociais e simbólicos -, seria, no longo prazo, uma estratégia bem mais frutuosa que o rápido e artificial embelezamento de um sector restrito da cidade.

Defendíamos, então, que se poderiam adoptar estratégias globais de tratamento do espaço público que reconduzisse a mecanismos de identificação apropriáveis pelos residentes e utentes da cidade. e que, no fundo, permitisse estabelecer a equiparação do controlo e investimento simbólico no centro ao investimento económico estratégico localizado nas periferias.

E, de um ponto de vista de ideia de cidade, defendíamos ainda a necessidade de criar um usufruto pleno da cidade nas suas múltiplas dimensões e extensões reconhecendo como alguns autores – e um pouco em contracorrente de certas teses instaladas -, que o retorno à densidade urbana podia efectivamente favorecer uma plurifuncionalidade que é reconhecida como uma das características fundamentais da cidade tradicional, mas também a colmatação dos momentos cegos que antes apontava.

Por último, defendíamos também que, tanto na recuperação e recontextualização de um património histórico e paisagístico disperso, como na dinamização das ofertas culturais e lúdicas, se poderiam encontrar novos meios de atrair e fixar as populações e de pensar o futuro da cidade como um todo mais rico que claramente se podia opôr aos valores negativos associados ao processo de suburbanização.

A este quadro de diposições seria subjacente a ideia de aprofundamento de uma cultura urbana e urbanidade apuradas, indissociáveis de um processo de metropolitanização que se pudesse opôr eficazmente ao processo de suburbanização em curso.

Pedro Gadanho, Porto, Julho de 2001

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1 Comentário»

  A paisagem e o resto « CUC – Contemporary Urban Culture wrote @

[…] é que esse estudo de há uma década permaneceu inédito? Porque a Câmara da Maia preferiu pagar para impedir a sua […]


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