CUC – Contemporary Urban Culture

Interdisciplinary Platform for Urban Culture

Panoramas Urbanos

Se por acaso não estiverem de passagem por Los Angeles durante os próximos meses, vale a pena ver a apresentação web da exposição Urban Panoramas, actualmente no Getty Center.

Ver os pequenos vídeos auto-explanatórios dos artistas vale particularmente a pena pela pedagogia do olhar urbano que estes representam.

Mais que a contemplação de imagens descontextualizadas pelo seu mero impacto estético, vale a pena compreender o projecto de olhar que existe por detrás de cada obra.

No fundo, isto faz toda a diferença relativamente a exposições que desprezam educar ou comunicar com o seu público.

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A paisagem e o resto

Esta semana fui convidado a participar num encontro do Projecto Farol, um Think Tank promovido pela Deloitte que aparece como mais uma iniciativa da “sociedade civil” destinada a abordar a competitividade futura de Portugal…

O meu modesto contributo para esta sessão sobre Cultura baseou-se em dois alertas ou inquietações.

Primeiro, quando procuramos modelos “lá fora” para definirmos onde queremos estar daqui a 15 anos, tendemos a esquecer que “lá fora” também se planeia onde se deseja estar daqui a 15 anos, normalmente com a vantagem de se partir com maior avanço e mais tradição estratégica. Deste modo, se não partirmos para o futuro a duas velocidades – reflectindo a metáfora médica de Delfim Sardo sobre a simultaneidade dos “cuidados primários” e aquilo que eu chamaria, mais bem, os “cuidados intensivos” – nunca “apanharemos” as lebres…

Segundo, se queremos estar a produzir cultura relevante e competitiva daqui a 15 anos temos não só que promover formas culturais emergentes – algo singularmente difícil num país indubitavelmente conservador – mas temos também que tornar mais atractiva a paisagem cultural portuguesa…

E, especialmente, temos que tornar o panorama atractivo para os seus potenciais agentes e para aqueles que já foram enredados no proliferante ensino superior das áreas do Design (actualmente mais de 40 cursos) e da Arquitectura (hoje com cerca de 35 cursos) no nosso país.

O nosso “problema,” justamente, é que, pelo meio de muito “choque tecnológico”, esta mole de gente não encontra aqui oportunidades para a pesquisa, a investigação, e exploração de novas linguagens e possibilidades e, assim, enceta uma nóvel forma de emigração qualificada que despojará Portugal do seu capital humano de forma mais radical do que aquela que imaginamos.

Como avisava Luís Campos e Cunha na mesma sessão, não podemos “obrigar” estes “emigrantes” a regressar e, assim, corremos o risco de perder a margem de esperança que as estatísticas nos oferecem para o futuro – nomeadamente pelo crescimento humano do sector criativo em Portugal -, particularmente quando queremos reconhecer e incentivar as contribuições da Cultura e da criatividade para o PIB e outros indicadores que tal.

Curiosamente, esta perda de capital humano encontrava eco naquele que foi o contributo mais original da reunião, o do paisagista americano de Harvard, Carl Steinitz.

Conquanto Steinitz estivesse ali para vender o seu peixe – ou melhor, e como defenderei noutros contextos, estivesse ali, e bem, a vender o seu modelo de cana de pesca – a sua análise sem papas na língua do desfeamento da paisagem como factor de perda de atractividade e competitividade devia, de facto, alertar os portugueses. Como, pelos vistos, já começou a inquietar os espanhóis da Generalitat de Valência para os quais Steinitz realizou os seus estudos.

Steinitz, no fundo, propõe uma análise da apreciação da paisagem baseada num censo alargado e depois avança medidas estratégicas, protectivas ou de redesenho, para os “cuidados intensivos” que essa paisagem pode requerer.

A metodologia de abordagem proposta por Steinitz lembrou-me um estudo interdisciplinar ainda inédito que a CUC realizou para a Bienal da Maia de 1999 a convite de António Cerveira Pinto, propondo nessa ocasião uma mui Antoninana “Identificação de uma Cidade.”

Porque é que esse estudo de há uma década permaneceu inédito? Porque a Câmara da Maia preferiu pagar para impedir a sua publicação – já que as propostas então apresentadas, com base num estudo abrangente da “imagem da cidade”,  iam contra as políticas urbanas então em implementação…

Talvez entretanto o meio tenha amadurecido e o élan de Steinitz seja suficiente para que, hoje, estas mesmas análises da paisagem cultural e urbana sejam bem acolhidas e pagas por algum organismo estatal. Mas, entretanto, passaram-se 10 anos sobre o desejo de preparar o futuro.

É por estas e por outras, de resto, que a paisagem da produção cultural em Portugal se torna inóspita e que os que querem contribuir para o futuro preferem emigrar…

Mega-som-poles

20.extract

O álbum Megapoles é uma obra de música de câmara contemporânea fermentada a partir dos sons coleccionados por Bruno Letort e Stephan Rodesco nas ruas de Nova York, Londres, Paris, Moscovo, Bombaim e Tóquio, acompanhado de um livro que refaz esse itinerário num sampling de texto e imagens de artistas (Isao Tanaka, July Heart, Valery Anisimov, Charles René et Fayçal Ben Arbia).

Aqui capa de Schuiten (Naive Classique, 2000), uma menção deliberada a Urbicande.

CUC is back…

Depois de um período de hibernação de quase uma década, a associação cultural CUC regressa à actividade, destafeita com sede em Lisboa e para co-produzir dois projectos que já foram tornados públicos: a 1ª Conferência Internacional sobre Arquitectura e Ficção, Once Upon a Place, e a série de filmes multi-autor Emergent Megalópolis.